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  • Hiroshima meu amor

    Hiroshima meu amor (Hiroshima mon amour, França, 1959) começa com planos de detalhes em dois corpos nus abraçados. Os corpos parecem banhados em água e areia, a granulação da película em preto e branco se confunde com os grãos e gotas. Entram diálogos de um homem e uma mulher, frases poéticas sobre o crime nuclear de Hiroshima. O diálogo é entrecortado por imagens de arquivo chocantes das vítimas após a explosão da bomba atômica.

    O primeiro longa-metragem de ficção de Alain Resnais nasceu como proposta de um documentário. Resnais decidiu transformá-lo em um longa de ficção e contou com a colaboração de Marguerite Duras no roteiro.

    A narrativa acompanha o casal de amantes que estão em Hiroshima. Uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) e um arquiteto japonês (Eiji Okada). Eles não sabem os nomes um do outro e, em determinado momento, intrincados flash-backs remetem ao relacinamento da atriz com um soldado alemão, em Nevers, durante a ocupação nazista. Ela tem 18 anos, o soldado morre perto do fim da guerra e a jovem sofre punições por seu ousado romance.

    “O filme foi escrito especialmente para o cinema por Marguerite Duras, que foi uma influência importante para o cinema francês – tornando-se mais tarde diretora ela própria – e cuja obra demonstra uma preocupação com a questão da memória e da influência do passado no presente. Em Hiroshima, meu amor, Resnais emprega uma complexa estrutura de flashback, que revela gradualmente mais e mais do passado à medida que ele se intromete no presente. Essa estrutura é sustentada pela trilha sonora inesquecível de Giovanni Fusco e Georges Delerue e recebe uma carga emocional poderosa das interpretações, especialmente de Riva, cujo rosto registra as emoções complexas da sua personagem até a mais sutil nuance. Nossas identidades, o filme parece dizer, dependem de nossa memória, porém, no fim, ela vai desaparecer.”

    Referência: 1001 filmes para ver antes de morrer. Steven Jay Schneider (org.). Rio de Janeiro: Sextante, 2008.