Autor: Robertson B. Mayrink

  • Beijos roubados

    Beijos roubados é o terceiro filme de Truffaut com o personagem Antoine Doinel. O primeiro é o clássico Os incompreendidos (1959), o segundo, Antoine e Colette (1962), curta-metragem. Completam a saga: Domicílio conjugal (1970) e Amor em fuga (1979).

    Após ser desligado do exército, o jovem Antoine Doinel começa um périplo em busca de emprego. Trabalha como recepcionista de um pequeno hotel, mas é despedido quando ajuda um detetive particular a flagrar uma esposa que está no quarto do hotel em adultério. Doinel fica amigo do detetive e experimenta a carreira de investigador particular.

    O tom de humor está presente em todo o filme. O jovem pratica as atividades cotidianas com irreverência, quase desinteressado por tudo que faz. A impressão é que tudo é pretexto para novas experiências, principalmente no quesito paixões pelas mulheres que encontra pelo caminho. Enquanto tenta conquistar Christine, seu grande amor, não se furta a um caso apaixonado com a esposa de um de seus clientes. Entre uma trapalhada e outra, Doinel, ou François Truffaut, pois todos sabem a relação entre personagem/autor, vai se descobrindo. Filme essencial na obra do inigualável François Truffaut.

    Beijos roubados (Baisers volés, França, 1968), de François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud (Antoine Doinel), Claude Jade (Christine Darbon).

  • Quando o coração floresce

    A americana Jane Hudson (Katharine Hepburn) chega à Veneza com o deslumbramento comum da primeira visita à esta cidade mágica. Ela percorre sozinha às ruas em meio aos canais, fotografando e se deixando extasiar. Em uma destas perambulações, Jane conhece Rossano (Renato de Rossi) , dono de uma loja de antiguidades, típico sedutor italiano. A paixão entre os dois coloca em debate os rígidos valores morais da solteirona Jane. Mas quem conhece Veneza, sabe que a cidade foi feita para paixões.

    Quando floresce o coração (1955) foi todo filmado em Veneza, como se a câmera também descobrisse passo a passo, junto com Jane, o misticismo presente em cada esquina da cidade. O filme é o tradicional drama-romântico, valorizado pelas imagens sedutoras da cidade e pela atuação de Katharine Hepburn.

    “Há algo de embaraçoso em seu papel de solteirona caída, mas Hepburn é tão habilidosa que quase, mesmo que não completamente, faz sumir o constrangimento. É difícil acreditar que o namoro de uma puritana seca com um sedutor de meia-idade faça explodir fogos de artifício no céu que o diretor, David Lean, acende, mas este é um daqueles filmes românticos que muita gente guarda na memória com bastante emoção.” – Pauline Kael.

    Quando o coração floresce (Summertime, EUA/Inglaterra, 1955), de David Lean. Com Katharine Hepburn (Jane Hudson), Rossano Brazzi (Renato de Rossi), Isa Miranda (Signora Fiorini), Darren McGavin (Eddie Yaeger).

    Referência: Coleção Folha Grandes Astros do Cinema. Katharine Hepburn (em) Quando o coração floresce. Cássio Starling Carlos. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2014.

  • As garras do leão

    A história do jovem Winston Churchill é narrada a partir das memórias do ex-primeiro ministro, já idoso. Simon Ward interpreta Churchill na juventude e narra a história, centrando as lembranças na difícil convivência com o pai, membro do parlamento inglês, e no fascínio pela mãe americana, de beleza sedutora na conservadora Inglaterra.

    “Imagens históricas em filmes de arquivo e fotografias, semelhanças na aparência dos atores e reconstituição de época por meio de cenários e figurinos são alguns artifícios recorrentes adotados em títulos biográficos que buscam seduzir o público como base na crença na verossimilhança. A todos esses, ‘As Garras do Leão’ junta a narração em primeira pessoa, o que dá a impressão de que assistimos a um relato feito pelo próprio personagens, uma intimidade que nenhum historiador ou biógrafo conseguiria superar.” – Cássio Starling Carlos.

    As garras do leão (Young Winston, EUA/Inglaterra, 1972), de Richard Attenborough. Com Simon Ward (Winston jovem/narrador), Robert Shaw (Lorde Randolph Churchill), Anne Bancroft (Lady Jennie Churchill), Anthony Hopkins (Lloyd George).  

  • Avatar

    Avatar (EUA, 2009), de James Cameron, é uma experiência sensorial. Fascinante a princípio, extenuante no final, como toda experiência que envolve a entrega dos sentidos. O filme vem sendo alardeado como revolução cinematográfica, comparável ao surgimento do cinema sonoro e da cor no cinema. Exagero.

    O filme é um deslumbre visual. As cenas do planeta Pandora colocam o cinema digital num novo patamar de definição de cores, profundidade e criação de seres inimagináveis, incluindo o fascinante reino vegetal. As montanhas suspensas, as cachoeiras, árvores gigantescas, répteis terrestres e voadores, tudo remete a tradição em recriar mundos fantásticos no cinema desde King Kong (1933). Os na’vis digitais impressionam, com destaque para a personagem Neytiri, seu rosto é expressivo, ela consegue transmitir raiva, alegria, amor e ódio naqueles imensos olhos amarelos.

    A história é a típica saga de amor e ódio, guerra e paz, emoldurada por fortes contornos ecológicos. Grupo de humanos estuda o planeta Pandora e seus habitantes, outro grupo deseja explorar as riquezas minerais escondidas embaixo das árvores sagradas. A atmosfera é inóspita aos humanos e para sobreviverem no planeta os cientistas desenvolvem o Avatar: o humano é conectado virtualmente a uma réplica na vi. O fuzileiro Jake Sullivan (Sam Worthington) e a cientista Grace Jones (Sigourney Weaver) são enviados para aprender os costumes dos habitantes. Mas os militares têm pretensões menos nobres e o enredo caminha para uma história de paixão, amor, traição e redenção.

    Os clichês são inevitáveis, mas isso não me incomoda. Este tipo de abordagem é também tradição do cinema americano, rendendo bons (Star Wars) e maus (Independence Day) filmes. James Cameron usa dos estereótipos das histórias de heróis e vilões para construir um forte manifesto ecológico, necessário neste mundo que caminha para a destruição. Em Pandora, como na terra, os vilões somos nós.

    Porque então considero exagerado o alarde em torno de Avatar? Não é um filme revolucionário. Nos últimos trinta anos, dois filmes chegam perto dessa palavra que carrega uma responsabilidade imensa.

    Star Wars (1977) definiu as bases do cinema moderno de ação, aventura e ficção científica. Introduziu novas possibilidades tecnológicas, abrindo caminho para as experiências posteriores em torno de efeitos especiais. A batalha final intergaláctica está na história do cinema. Daqui a duzentos anos, ainda vai ser vista com assombro e fascínio.

    Senhor dos anéis – o retorno do rei (2003). O terceiro filme da trilogia é uma apoteose. A tecnologia digital consegue dar vida ao surpreendente universo do escritor J. R. R. Tolkien, a tela do cinema se transforma definitivamente no espaço de recriação de seres fantásticos e de batalhas heróicas confrontando o bem e o mal nas suas mais demoníacas formas.

    Com tramas envolventes, estes filmes conjugaram a mais perfeita tecnologia com aquilo que verdadeiramente conquista o espectador: histórias e personagens inesquecíveis que passam a fazer parte de nossas lembranças afetivas, de nossos momentos sublimes na ficção.

    Avatar não consegue dosar essa equação. Cada frame do filme é um despejar de tecnologia digital em 3D. Não há espaço para o espectador se envolver com os personagens, sentir a história, a todo momento somos assombrados por uma paisagem magnífica, um ser mitológico, uma batalha visualmente ensurdecedora. Segundo a segundo, nossos olhos se concentram apenas nas maravilhosas inovações tecnológicas, por isso essa sensação de exaustão ao final da projeção.

    O filme é cinema de entretenimento puro, motiva o deslumbramento, quase o estupor, suscita a vontade de mergulhar cada vez mais em um cinema que vai aos poucos se libertando, com qualidade, das dimensões físicas da tela. É um bom filme, mas vai ser esquecido quando mais e mais tecnologia for chegando ao cinema. E isso deve acontecer até o ponto que assistir a um filme no cinema seja como entrar num Holodeck de Jornada nas estrelas – a nova geração. Mas isso é outra história.

  • Até os deuses erram

    Nas mãos de Sidney Lumet, atores enclausurados em pequenos ambientes se transformam em gigantes da interpretação. E os filmes, em clássicos. Doze homens e um segredo (1957), seu filme de estreia, tem esta marca. Um dia de cão (1975), idem.

    Até os deuses erram é palco para brilhante interpretação de Sean Connery. O ator interpreta o Sargento Johnson, policial britânico que há 20 anos convive com crimes hediondos. O policial participa da investigação de um estuprador de meninas que já fizera três vítimas. Um suspeito é preso nas ruas da cidade após aparecer a quarta vítima. Johnson fica sozinho com o suspeito na delegacia. O interrogatório motiva uma explosão de violência do policial.

    O filme é baseado em peça teatral. Os momentos marcantes são os longos embates psicológicos entre os personagens. O confronto entre Johnson e sua mulher aflora a personalidade doentia do sargento, agravada pelos crimes que investigou. O investigador responsável por apurar o que aconteceu dentro da cela entre Johnson e o criminoso provoca um jogo de tortura psicológica entre interrogado e interrogador.

    O melhor do filme fica por conta de Johnson e Baxter (Ian Bannen), o provável pedófilo, na sala de interrogatórios. A edição do filme surpreende o espectador, inserindo a sequência em três momentos da narrativa. Os acontecimentos são os mesmos em cada sequência, porém o diretor escolhe pontos de vista diferentes entre os envolvidos. A revelação da psicose de Johnson também tem o toque de gênio de Sidney Lumet: flashes de imagens desconexas deixam o espectador compartilhar da dor do policial.

    Em Até os deuses erram o espectador chega ao limite da angústia. Difícil sair impune destes ambientes enclausurados de Sidney Lumet.

    Até os deuses erram (The offence, EUA/Inglaterra, 1972), de Sidney Lumet. Com Sean Connery, Trevor Howard, Ian Bannen.

  • O assassino

    O assassino (L’Assassino, Itália/França, 1961). O antiquário Nello Poletti (Marcello Mastroianni) chega em casa à noite, liga para a noiva e entra na banheira. Recebe a visita de policiais que o intimam a ir à delegacia. Acusado de matar a amante, Nello passa por longo e torturante interrogatório, sem direito a advogado, confrontado com seus limites psicológicos. Flashbacks montam o passado de Nello entre os interrogatórios, um bom vivant que se aproveita de suas ricas namoradas.

    O assassino é o primeiro filme do aclamado Elio Petri. O diretor foi obrigado pela censura a fazer diversos cortes no filme, entre eles uma polêmica cena: quando os policiais chegam à casa de Nello, devem limpar os pés sujos de barro antes de entrar. O tom crítico de Elio Petri não poupa a polícia italiana, que usa métodos de investigação herdados do fascismo, incluindo tortura psicológica e ameaças. A burguesia italiana do pós-guerra também sofre nas mãos do diretor. “Mastroianni interpreta Nello Poletti, um dono de antiquário cujo sucesso implica certa liberdade de cometer falcatruas, uma despreocupação com escrúpulos morais típica de uma geração que não viveu a guerra e encontrou uma sociedade moldada pelo bem-estar.” – Cássio Starling Carlos.

    As cenas de Poletti na delegacia, depois enclausurado na pequena cela com dois delatores são claustrofóbicas, levando o suspeito aos limites da confissão forçada. A censura a que o filme foi submetido é a confissão de policiais, militares, governantes que praticaram (e praticam) impunemente atos violentos nos porões isolados da lei.

    Referência: Coleção Folha Grandes Astros do Cinema. Vol. 10. Marcello Mastroianni. Cássio Starling Carlos. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2014.

  • Avanti… amantes à italiana 

    Wendell Armbruster Jr. (Jack Lemmon), rico executivo americano, viaja para paradisíaca ilha da Itália. Ele vai buscar o corpo do pai que morrera em um acidente de trânsito. Armbruster Jr. conhece Pamela Piggott (Juliet Mills) na viagem e descobre que o pai morrera ao lado da amante, mãe de Pamela.

    Avanti! (1972), adaptado de peça de Samuel Taylor, traz Jack Lemmon em mais uma ótima interpretação sob a direção de Billy Wilder. O mal-humorado executivo se entrega na Itália aos pequenos prazeres do dia, como nadar nu no mar ao lado de Pamela, dançar ao luar e se permitir a uma noite de amor clandestina.

    Billy Wilder desenvolve no filme singela e bonita homenagem às mulheres fora dos padrões de beleza ditados pelo próprio cinema, Pamela vive às voltas com dietas e encanta cada vez mais o sisudo Armbruster. É também a história do reencontro entre pai e filho. A seguir, análise de Ana Lúcia Andrade: 

    “O personagem de Lemmon viaja para buscar o corpo do pai e descobre a vida, a alegria de viver que o pai também encontrara na Itália, através do amor. ”

    “Em entrevista, Wilder fala de seu personagem:”

    “Ele é um americano muito pedante, da alta sociedade e de opiniões de direita que começa a ver seu pai e sua própria vida sob um outro ângulo. Trinta e seis horas mais tarde é um homem diferente que volta para os Estados Unidos. (…). Ele começa tendo dúvidas e finalmente suas falsas crenças não podem se manter. No fundo, é uma história de amor entre um filho e seu pai. Ele começa a entender um pai em quem nunca tinha pensado e do qual era apenas o empregado em uma grande empresa. Está mais próximo do pai morto do que enquanto ele vivia. É uma reavaliação dos americanos, de seus erros, do que vale e do que não vale a pena.”

    Avanti… amantes à italiana (Avanti!, EUA, 1972), de Billy Wilder. Com Jack Lemmon, Juliet Mills, Clive Revill.

    Referência: Entretenimento inteligente. O cinema de Billy Wilder. Ana Lúcia Andrade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.

  • Barry Lyndon

    O filme é um esplendor fotográfico e estético. Com três horas de duração, a narrativa acompanha a ascensão e queda de Redmond Barry, jovem irlandês que se apaixona por sua prima. Após descobrir que ela vai se casar com um capitão do exército, Redmond duela com o capitão e é obrigado a fugir. É o ponto de partida para picarescas aventuras relacionadas ao exército que cruzam seu caminho. Quando consegue se livrar do jugo dos oficiais, Barry casa-se com Lady Lyndon, assumindo um título da nobreza.

    A história é narrada em terceira pessoa, a lentidão das longas sequências tem um propósito: retratar a frugalidade da vida dos nobres ingleses que se envolvem em guerras inúteis e passam os dias em jogatinas, motivando intrigas e aproveitando a tediosa vida palaciana. A obra-prima do meticuloso diretor Stanley Kubrick deslumbra e encanta os olhos, um dos grande momentos da fotografia no cinema.

    “Filmado por John Alcott usando apenas luz natural, quase sempre na ‘hora mágica’ – o momento do dia em que a luz possui uma nebulosidade perfeita -, e fazendo uso inovador da luz de velas para os interiores, as imagens de Barry Lyndon possuem grande beleza, mas sua perfeição é conjugada com a turbulência interior dos personagens aparentemente congelados. Kubrick é muitas vezes acusado de não expressar emoções, mas a sua contenção aqui é ainda mais tocante.”

    Barry Lyndon (Inglaterra, 1975), de Stanley Kubrick. Com Ryan O’Neal (Barry Lyndon), Marisa Berenson (Lady Lyndon).

    Referência: 1001 filmes para ver antes de morrer. Steven Jay Schneider (editor geral). Rio de Janeiro: Sextante, 2008

  • O castelo

    K chega a uma aldeia castigada pela neve, entra na taberna e diz ser o topógrafo contratado pelo superintendente do Castelo. Os frequentadores logo dizem que ninguém foi contratado para executar tal tarefa e K começa uma peregrinação pela cidade, tentando se comunicar com os responsáveis. Conhece Frieda, amante do superintendente, de quem fica noivo, consegue emprego de supervisor na escola local, mas continua sem entender os motivos da renúncia de todos com relação à sua permanência na aldeia.

    O filme de Michael Haneke, feito para a TV austríaca, busca fidelidade ao romance inacabado do escritor Franz Kafka. Os diálogos são literais, com narração em off descrevendo, na maioria das vezes, as imagens. Cortes bruscos, com a tela enegrecida, marcam as passagens de tempo.

    “O enredo repleto de ambiguidades perturba, mas também faz rir, e abriga um tema caro a Kafka: o homem em conflito com a falta de sentido dos entraves burocráticos e engolido por eles. Seu personagem principal, K, é um agrimensor que chega a uma aldeia para supostamente medir as terras de um conde. Lá, não se sabe exatamente, no entanto, quem o contratou e por quê. A instância da autoridade é o castelo, mas seus representantes nem sempre estão ao alcance.” – Eduardo Simões.

    Referência: O castelo: um filme baseado na obra de Franz Kafka. Cássio Starling Carlos, Pedro Maciel Guimarães, Eduardo Simões. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2013   

    O castelo (Das schloss, Alemanha/Áustria, 1997), de Michael Haneke. Com Ulrich Muhe (K), Susanne Lothar (Frieda), Frank Giering (Arthur), Felix Eitner (Jeremias), André Eisermann (Barnabas).

  • Rio Vermelho

    O estouro da boiada ao anoitecer é das sequências mais impressionantes do gênero, resultado deste cinema visionário dos diretores clássicos do cinema americano. Howard Hawks revisitou a história marítima de O grande motim (1953) para as pradarias do velho oeste, com John Wayne no papel principal e inúmeros coadjuvantes emprestados dos faroestes de John Ford.

    Tudo parece calculado para homenagear o cinema de gênero americano. Grandes planos abertos. Pistoleiros se medindo antes de arriscarem um duelo. Homens brutos em uma aventura épica, cruzar o oeste guiando um rebanho de 10 mil cabeças de gado. Ataques de índios e, claro, mocinhas em despedidas emocionantes. Para completar, a estreia de Montgomery Clift, ator que seduz os olhos do espectador a cada cena com sua personalidade nobremente rebelde.

    “Dois filmes de Monty Clift recém-lançados nos dão a chance de checar sua mágica personalidade: Rio vermelho (Red river, 1948), de Howard Hawks, e Os desajustados (The misfits, 1960), de John Huston. Clift faz um neurótico em ambos, o que não é novidade, porque ele só interpretava gente problemática. Ambos são filmes do Oeste, com vacas e cavalos em profusão, mas, se isso o deixa mais tranquilo, não são exatamente faroestes – estão mais para Freud do que para (John) Ford.” – Ruy Castro.

    É a era impossível de superar no cinema. Um grande diretor como Howard Hawks trabalhando ao lado de grandes atores, de ícones que definiram o cinema, como John Wayne e Montgomery Clift. A lista de atores e diretores inigualáveis que se encontravam filmes após filme é extensa. Ainda nas palavras de Ruy Castro, “Pois, em Os desajustados, ele (Clift) contracenava simplesmente com um bando de ladrões de cenas: Clark Gable, Marilyn Monroe, Eli Wallach e Thelma Ritter – vá competir com essa gente.”

    Diria mais, vá competir com o cinema de Howard Hawks.

    ReferênciaUm filme é para sempre. Ruy Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.