Autor: Robertson B. Mayrink

  • Eu posso ouvir o oceano

    Finais de dramas românticos em estações de trem têm tudo para enternecer o espectador. A estação de trem pode ser substituída também por estação de metrô, caso da megalópole Tóquio  de Eu posso ouvir o oceano

    A trama da animação japonesa acompanha um triângulo amoroso formado pelos amigos Taku e Yutaka, que compartilham o fascínio pela rebelde Rikako. O cenário é uma escola secundária no interior. Os estudantes são submetidos ao rígido sistema educacional do país que cobra de forma assustadora as melhores notas de seus alunos e alunas, pois o nome da Instituição está em jogo. Outras questões importantes são discutidas: a ausência dos pais; como as grandes cidades fascinam e, ao mesmo tempo, pressionam seus moradores, principalmente a juventude que busca espaços.

    A narrativa em primeira pessoa de Taku guia o espectador através das descobertas, conflitos, desejos… São as memórias de um verão marcante, quando ele conheceu uma menina com quem chegou a trocar tapas nas faces. Tudo termina, ou verdadeiramente começa, na estação de metrô, para deixar este e outros espectadores relembrando de verões assim. 

    Eu posso ouvir o oceano (Japão, 1993), de Tomomi Mochizuki.

  • Corações enamorados

    A princípio, o musical segue os passos característicos do gênero. As três filhas do músico Gregory Tuttle (Robert Keith) sentem-se fascinadas por Alex Burke (Gig Young), jovem músico que passa uma temporada na casa enquanto escreve um concerto. Laurie (Doris Day), a filha mais velha, conquista o coração do músico e tudo parece caminhar para os encontros e desencontros motivados pela disputa das outras irmãs.

    A virada acontece quando o também músico Barney Sloan (Frank Sinatra) chega à casa para ajudar o amigo Alex. Ele se apaixona por Laurie, mas sua personalidade é o motivo para a grande ousadia deste musical dos anos 50. Barney se sente fracassado na vida, seu pessimismo consigo revela a mente depressiva, caminhando para a atitude polêmica, raramente discutida até esse momento em filmes de gênero: o suicídio. 

    Frank Sinatra está perfeito como o músico fracassado, que contagia todos ao seu redor com sua tristeza. Doris Day, a eterna garota das comédias românticas, toma conta do filme, revelando sua personalidade amorosa, doce e firme, disposta a lutar para que todos com quem convive fiquem bem. 

    Corações enamorados (Young at heart, EUA, 1955), de Gordon Douglas. Com Doris Day, Frank Sinatra, Gig Young, Ethel Barrymore, Dorothy Malone. 

  • Tudo bem

    Juarez (Paulo Gracindo) está escrevendo uma carta para órgãos públicos reclamando da situação brasileira. Três amigos do passado, possivelmente já mortos, interagem com ele: um integralista, um funcionário público poeta e um imigrante italiano. Elvira (Fernanda Montenegro) também conversa com seu imaginário, a Santa, reclamando da falta de desejo de seu marido, Juarez. Na sua cabeça, Juarez tem uma amante. 

    Os conflitos internos desta típica família de classe média dos anos 70, que se completa com o filho relações públicas e a filha estudante, se misturam com a realidade: um grupo de operários está fazendo obras no apartamento; trabalham para o casal a empregada benzedeira e outra empregada (que completa seu orçamento se prostituindo nas ruas); por fim, a família de um dos operários chega ao apartamento e é alojada por Elvira e Juarez. 

    O filme se passa todo dentro do apartamento, na típica estrutura teatral, baseado inteiramente nos diálogos criados por Arnaldo Jabor e pelo roteirista Leopoldo Serran. As interpretações beiram o caricatural, os grupos de personagens atuando como em um picadeiro de circo, com sequências nonsenses. A ideia é recorrente, principalmente no cinema brasileiro contemporâneo: colocar personagens representantes de classes distintas interagindo, criando conflitos psicológicos e comportamentais, dentro de um ambiente fechado. Destaque para a empregada/prostituta (Zezé Motta) de botas longas e calcinha cantando Como nossos pais pelos ambientes diante do olhar estupefato de Aparecida de Fátima (Maria Silvia). 

    Tudo bem (Brasil, 1978), de Arnaldo Jabor. Com Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Zezé Motta, Stênio Garcia, Fernando Torres. 

  • Playtime – Tempo de diversão

    “Dou risada quando dizem que Playtime não tem estrutura”, disse Jacques Tati, em resposta às críticas que recebeu sobre o filme. A obra consumiu três anos de filmagens, com a construção de cenários gigantescos nos arredores de Paris, incluindo a réplica do aeroporto. O diretor tentou junto à prefeitura, sem sucesso, que a cidade cenográfica permanecesse como ponto turístico da capital francesa.  

    Dividido em seis partes, Playtime narra os encontros e desencontros de uma turista americana e o personagem interpretado por Tati, francês assombrado pela modernidade da cidade. Tati disse que aplicou ao filme sua visão das cidades modernas, que se igualaram quando optaram pela construção de complexos centros turísticos, tentativa de fascinar e oferecer o máximo de conforto e deslumbre aos visitantes. Em Playtime, a arquitetura do aeroporto motiva todos a andarem em linha reta. O restaurante que abre suas portas no dia do término das reformas provoca uma série hilária de acidentes envolvendo tetos de gesso, cadeiras e a porta de vidro. 

    “É como um balé. No começo, os personagens sempre andam alinhados com a arquitetura. Nunca fazem curvas. Vem e vão em linhas retas. Mas quando mais nos adentramos no filme, mais as pessoas começam a dançar e girar, até se tornarem um círculo.” – Jacques Tati.

    A sequência final é antológica: após a noite de peripécias no restaurante, levando todos à exaustão física e psicológica, a cidade amanhece. Enquanto alguns vão à padaria tomar o café da manhã, os turistas americanos embarcam de volta para o aeroporto, outros tomam seus carros. Todos se envolvem em um congestionamento que provoca o giro dos automóveis na praça, num carrossel simétrico, verdadeiro balé aos olhos do espectador. 

    É a obra-prima do diretor, verdadeiro delírio visual, recheado de metáforas sobre a modernidade das cidades e como afetam nossas vidas. ”Quero que o filme comece quando você sai do cinema.”. Afirmou Jacques Tati. Sobre a estrutura narrativa de Playtime, Tati comentou.  

    “Eu não sentia a necessidade de escrever um roteiro com o enredo, surpresas, reviravoltas e desfechos de sempre. Tais convenções não são necessárias para se fazer um filme. Filmes sempre expressam histórias bem estruturadas. Não podemos deixar isso de lado ao menos uma vez? É justamente porque o público não espera saber se ocorrerá um assassinato, estupro, um beijo ao luar, um resgate, a identidade de um estranho ou de um assassino, que eles têm tempo para rir e eu posso incluir várias piadas.”

    Playtime – Tempo de diversão (Playtime, França, 1967), de Jacques Tati. Com Jacques Tati, Barbara Dennek, Billy Kearns.

  • Oliver Twist

    A adaptação literária para o cinema sempre suscita controvérsias, principalmente de livros de autores consagrados como Charles Dickens. O livro Oliver Twist foi publicado no formato de folhetins, episódios mensais em jornais, portanto, já com uma estrutura que se adequa ao cinema, com as viradas na narrativa. 

    Na adaptação feita em 1948, David Lean, junto com o roteirista Stanley Haynes, respeitou a essência da história. Uma jovem mulher dá à luz a um menino e morre em seguida. A criança ganha o nome de Oliver Twist e é criada em um reformatório, sofrendo com trabalhos forçados, alimentação precária e castigos físicos. Com nove anos, Oliver foge para Londres e cai nas mãos de Fagin, bandido que controla uma gangue de meninos que roubam nas ruas da cidade. A questão da pobreza, da marginalidade de adultos e crianças nas ruas, de um sistema religioso cruel e punitivo, são pontos evidentes de críticas na obra de Dickens. 

    David Lean sempre foi adepto do cinema clássico, buscou contar histórias bem estruturadas, respeitando os princípios da narrativa de gênero e privilegiando a força das imagens. Nesse sentido, vale a pena se debruçar sobre duas sequências que diferem do livro e tratam de aspectos simbólicos e do uso da linguagem audiovisual. 

    (mais…)
  • Amarga esperança

    Nicholas Ray foi amado, talvez idolatrado, pelos jovens críticos da Cahiers du Cinema e posteriormente diretores consagrados da nouvelle vague francesa. Jean-Luc Godard chegou ao extremo de afirmar: “Houve o teatro (Griffith), a poesia (Murnau), a pintura (Rossellini), a dança (Eisenstein), a música (Renoir). Doravante, há o cinema. E o cinema é Nicholas Ray”. A própria teoria do autor, defendida pelos críticos franceses, encontrou em Nicholas Ray uma de suas principais referência: 

    “Acho que o que nos atraiu foi que havia algo europeu neste diretor de Hollywood. E o que havia de Europeu? Talvez a fragilidade e vulnerabilidade dos personagens principais. Apesar de ele rodar muito com astros como John Wayne ou Humphrey Bogart, seus personagens masculinos não eram machões. Havia uma grande sensibilidade, principalmente no tratamento das histórias sentimentais que dava uma impressão de grande realismo. Numa época em que o cinema de Hollywood não era pessoal ou autobiográfico tínhamos sempre a impressão de que as histórias de amor nos filmes de Nicholas Ray eram histórias reais.” – François Truffaut. Sobre a admiração incondicional pelo cinema de Nichoas Ray, Traffaut completa, em depoimento para um documentário: “Eu já disse uma vez, e repito para esta câmera. Eu disse que um filme como Johnny Guitar teve mais importância na minha vida do que na de Nicholas Ray.”

    (mais…)
  • Tabu

    Antes mesmo das filmagens, Tabu já apresenta uma história de amor: em 1929, Murnau realiza seu sonho de comprar um iate, nomeado de Bali. Assim, conseguiria realizar seu sonho de juventude, conhecer os mares do sul e, ao mesmo tempo, reencontrar seu amado Walter Spies que vivia em Bali.

    Junto com o documentarista Robert Flaherty, Murnau chega em Bali em 29 de julho de 1929. Flaherty começa a trabalhar no projeto de um filme chamado Turia, filmando cenas de praias e dos nativos nas cachoeiras. A película seria produzida pela Colorart, no entanto, a produtora faliu durante o crash da bolsa de Nova Iorque. Murnau escreve, então, o roteiro de Tabu e decide financiar o filme. Ele contrata o diretor de fotografia Robert Crosby para substituir Flaherty, com quem o diretor se desentendeu. 

    A trama de Tabu segue os passos de dois nativos, Matahi e Reri, jovem virgem que é escolhida pela tribo para servir aos Deuses, sob os cuidados do velho sacerdote Hitu. Matahi sequestra Reri, os dois fogem para outra ilha, onde os brancos exploram pérolas, colonizando os nativos com objetivos de exploração econômica. Matahi se revela exímio mergulhador, o casal vive algum tempo num idílio amoroso. No entanto, a figura do velho sacerdote persegue-os, até o final trágico. 

    Robert Flaherty queria produzir um documentário sobre a exploração dos nativos pelo homem branco. Murnau, ao contrário, imprimiu um estilo estético ao filme baseado em pinturas alemãs, pedindo aos atores que imitassem as poses dos quadros. Os movimentos também deveriam se parecer com uma dança, estilo chamado por Murnau e Spies de “cinematografia arquitetônica”. Flaherty não gostou do resultado, pois acreditava na verdade dos documentários. Ele disse que “o estilo de Murnau não passava de uma espantosa manipulação.”

    O erotismo está presente em grande parte das tomadas de Tabu, principalmente no início, quando os nativos praticam alegremente a pesca. Os gestos coreografados destilam beleza e sensualidade nas cenas aquáticas. 

    “A sensação de puro regozijo dessas imagens prolonga-se na sequência seguinte, quando vemos a aproximação entre Matahi e Reri, o surgimento entre eles de um amor pleno, físico e que se exibe sem nenhum pudor. Toda essa parte é feita de movimentos incessantes na forma de saltos, lutas, danças e nados, de fluxos que reforçam o sentimento de alegria.” – Cássio Starling Carlos

    O estilo expressionista de Murnau contrapõe essa alegria erótica e inocente quando as sombras projetadas no rosto do sacerdote Htu, o velho que condena Reri ao Tabu, representam forças ocultas e sombrias que exigem o sacrifício dos amantes. O silencioso Htu, de olhar penetrante e aterrador, é como uma maldição que se interpõe no caminho dos jovens.

    Assim como o destino dos dois jovens amantes de Tabu, a relação entre Walter Spies e Friedrich Wilhelm Murnau, o mítico diretor do expressionismo alemão, responsável por obras-primas como Nosferatu (1922), A última gargalhada (1924), Fausto (1926) e Aurora (1927), seguiu caminhos trágicos após a conclusão das filmagens. Em 11 de março de 1931, uma semana antes da estreia de Tabu, Murnau morreu em um acidente de carro em Santa Mônica, Califórnia. Tinha 42 anos.  

    “Após auxiliar Andre Roosevelt na produção do longa Kriss, em 1928, Walter Spies produziu um novo filme que ele gostaria de ter dirigido com Murnau em Bali, A ilha dos demônios. Após a morte de Murnau, o filme foi concluído, apresentando Bali como o paraíso que ele e Murnau sempre sonharam.  Posteriormente, Spies foi preso e acusado de homossexualidade e pederastia. Ele passou muitos anos na prisão. Em 1942, durante a Segunda Grande Guerra, o navio no qual ele havia sido deportado de Bali foi atingido por um torpedo próximo ao Ceilão. Spies morreu afogado tal como o herói Matahi, que no filme de Murnau morre afogado após lutar contra tabus religiosos e morais.” – extraído do documentário “Uma obra em criação”. 

    Tabu (EUA, 1931), de F. W. Murnau. Com Matahi, Reri, Hitu, Bill Bambridge. Referência: Coleção Folha Grande Diretores do Cinema. F. W. Murnau – Tabu. Carlos Starling Carlos e Pedro Maciel Guimarães. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2018

  • Face a face

    É um dos filmes mais pesados, difíceis de assistir de Bergman, mas, ao fim, dialoga com nossas angústias mais profundas. Jenny Isaksson (Liv Ullmann) é psiquiatra, seu caso atual é uma jovem com tendências suicidas que a agride verbalmente. Jenny vai passar um tempo com os avós, na casa de sua infância, e tem visões noturnas com uma anciã, possivelmente sua falecida mãe. A rotina de Jenny é marcada por encontros com personagens que, assim como a médica, sofrem de perturbações.

    Bergman filma tudo com uma câmera distante, quase documental. Na forte sequência em que Jenny é estuprada em um apartamento, o diretor posiciona a câmera fora do quarto, filmando pela porta aberta, deixando em quadro um homem em pé que assiste a tudo impossível e as pernas da médica que se debatem durante o ato. 

    A complexa intensidade da mente humana, muitas vezes reprimida, permeia toda a narrativa. Em pauta temas como a inutilidade do tratamento psiquiátrico,  tentativas de se libertar através de ousadas incursões físicas, a mente que não acompanha a decrepitude do corpo, busca desesperada de salvação que leva à tentativas do ato extremo. Resta ao espectador assistir e se entregar às suas próprias e incompreensíveis angústias.  

    Face a Face (Face to face, Suécia, 1975), de Ingmar Bergman. Com Liv Ullmann, Erland Josephson, Aino Taube, Gunnar Bjornstrand.

  • Onde está a liberdade?

    A reunião entre Totó, dos mais famosos comediantes italianos, com Roberto Rossellini, pai do neorrealismo, resultou em um filme divertido e crítico da sociedade italiana. O barbeiro Salvatore Lojacono acaba de cumprir 20 anos de prisão por ter assassinado o amante de sua mulher. Sem conseguir se integrar à sociedade, ele tenta de tudo, inclusive indo aos tribunais para voltar para a prisão. 

    Os momentos divertidos da trama se concentram na defesa própria que Salvatore faz no tribunal, tentando convencer os jurados que precisa voltar para a prisão, onde foi mais feliz. Durante a defesa, flaschbacks mostram sua vida na prisão e nas ruas, após a liberdade. Rossellini aborda questões como marginais que não conseguem se reintegrar à sociedade, mesmo após pagar por seu crimes; pessoas que transitam pela noite sem emprego na Itália do pós-guerra, marcada pelo individualismo; a falta de moradia; enfim, a Itália que tenta se reerguer das tragédias da Segunda Guerra Mundial, mas esquece de seus cidadãos mais necessitados. Roberto Rossellini filma tudo com a estética neorrealista, buscando o cotidiano da cidade, bem ao seu estilo quase documental. 

    Onde está a liberdade (Dovè la libertà…?, Itália, 1954), de Roberto Rossellini. Com Toto (Salvatore Lojacono), Vera Molnar (Agnese), Andrea Compagnini (Nadino Torquati), Augusta Mancini (Teresa). 

  • Meu amigo Totoro

    Satsuki e Mei Kusakabe, duas jovens irmãs, se mudam com o pai para uma casa na área rural, perto de uma imensa floresta. A mãe está doente e fora transferida para um hospital próximo, por isso a mudança da família. Todos os dias, o pai pega o ônibus para o trabalho, é professor em Tóquio. A casa onde moram é velha, apresenta aquele tradicional ar das casas mal assombradas e é assim que os vizinhos se referem a ela. 

    Essa premissa, comum em várias narrativas do gênero, revela surpresas para o espectador, pois nada caminha para assombrações e sustos. As jovens irmãs se defrontam com mistérios nas trevas do sotão, pequenos pontos negros que correm em debandada quando sentem a presença dos humanos. No quintal, Mei segue um estranho coelho branco até a floresta e cai suavemente no colo de Totoro, uma imensa criatura de ar doce, pueril, terna e encantadora. 

    “Meu vizinho Totoro se baseia em experiências, situações e explorações – não em conflitos e ameaças. Issos se torna claro em adoráveis e longas sequências envolvendo Totoros – que não são criaturas mitológicas das florestas japonesas, mas sim invenções de Miyazaki para este filme.” – Roger Ebert

    As mãos mágicas de Miyazaki, que criam mundos encantadores filme a filme, surpreendem a cada momento da animação. Só as duas crianças veem Totoro, talvez o amigo imaginário. Elas passeiam pela estrada em um Gato Ônibus, interagem com as criaturas da noite como se fossem bolas de pelúcia. Até mesmo momentos que remetem à tristeza, visitas à mãe doente no hospital, abrem perspectivas alegres, esperançosas.

    Os olhares de Mei e Satsuki fantasiam até mesmo a tristeza, tiram beleza das situações mais inesperadas, apontam caminhos bons pelas estradas misteriosas, se deliciam na chuva ao lado do Totoro desengonçado, brincalhão, ele balança as árvores para ver cair mais gotas de chuva na sombrinha… Esse é o mundo de Miyazaki, para onde todos nós gostaríamos de ir. 

    Meu amigo Totoro (Tonari no Totoro, Japão, 1988), de Hayao Miyazaki