Vidro

O justiceiro David Dunn é preso e encaminhado a uma instituição psiquiátrica. No mesmo local, estão internados Vidro Elijah e Kevin, junto com suas 24 personalidades. O ousado roteiro de M. Night Shyamalan reúne os personagens de Corpo fechado e Fragmentado, cujos dons são estudados pela Doutora Ellie Staple. Cada um está enclausurado em um quarto com dispositivos que evitam o uso dos poderes. O problema é que Vidro tem um plano: colocar David e Kevin frente a frente em batalha épica.

M. Night Shyamalan encerra trilogia iniciada em 2000. James McAvoy continua com seu show particular na interpretação das diversas personalidades;  Bruce Willis interpreta um justiceiro contido e amargo; Samuel L. Jackson é o retrato da personalidade fechada em si mesma, pronta para explodir a qualquer momento. O universo dos quadrinhos é homenageado mais uma vez. 

Vidro (Glass, EUA, 2019), de M. Night Shyamalan. Com James McAvoy (Kevin), Bruce Willis (David Dunn), Samuel L. Jackson (Vidro Elijah)., Saraha Paulson (Ellie Staple).

A longa caminhada de Billy Lynn

Guerra do Iraque. O jovem soldado Billy Lynn tenta salvar o Sargento Dime de um ataque inimigo nas ruas da cidade, se confrontando sozinho com guerrilheiros iraquianos. O ato é registrado pelas câmeras de um fotógrafo, Billy Lynn é considerado herói e vira celebridade nos EUA. Para homenagear a equipe Bravo, regimento da qual o soldado faz parte, o presidente Bush organiza recepção durante um jogo de futebol americano.

A longa caminhada de Billy Lynn narra este único dia na vida dos soldados: primeiro o encontro de Billy com sua família, depois no estádio de futebol. Flashbacks reconstituem as memórias e sensações do soldado herói no Iraque.

O diretor taiwanês Ang Lee compõe uma peça crítica e melancólica dos jovens sem rumo após os ataques de 11 de setembro, praticamente forçados à guerra contra o terror (Billy Lynn é obrigado pelo pai a se alistar para fugir da acusação de delinquência juvenil). A câmera no rosto de Billy em vários momentos constrangedores das homenagens no estádio, depois entrando nas memórias da guerra do Iraque, alertam para este país centrado nas aparências, nos devaneios midiáticos. Aos soldados cabe apenas se amparar uns nos outros, como na simbólica sequência final dentro da gigantesca limusine.

A longa caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s long halftime walk, EUA, 2016), de Ang Lee. Com Joe Alwyn (Billy Lynn), Kristen Stewart (Kathryn), Garret Hedlund (Dime), Vin Diesel (Shroom).

A esposa

Filme abre com o casal Joan e Joe Castleman recebendo ligação informando que o escritor Joe receberá Prêmio Nobel de Literatura. A trama narras os conflitos do casal, envolvendo o filho também escritor, durante a viagem para receber o prêmio. 

Glenn Close foi indicada ao Oscar de melhor atriz e praticamente carrega o filme. A princípio, os conflitos indicam traumas em família: a infidelidade de Joe, a frustração do filho escritor que sente a sua literatura desprezada pelo pai, a necessidade de afirmação de Joan diante do sucesso do marido. A entrada em cena do jornalista disposto a escrever a biografia do escritor provoca a virada do roteiro, pois Joan pode esconder segredo relacionado a autoria dos textos literários de Joe. 

A esposa (The wife, EUA, 2017), de Bjorn Runge. Com Glenn Close (Joan Castleman), Jonathan Pryce (Joe Castleman), Christian Slater (Nathaniel Bone), Max Irons (David Castleman). . 

Podres de ricos

O filme explora as tradicionais esquetes da comédia romântica: coloca casal apaixonado em rota de colisão com as convenções de distinção de classes. Nick Young mora nos Estados Unidos e pertence a uma das famílias mais ricas de Singapura. Sua namorada é a professora de Economia Rachel Chu. A mãe, imigrante, a criou sozinha, lutando para dar educação à filha. 

Os namorados viajam para Singapura para a festa de casamento de um amigo de Nick. Rachel é apresentado aos milionários parentes e de imediato tem de enfrentar a resistência de Eleanor Young, mão de Nick. 

Podres de ricos foi dos maiores sucessos de bilheteria no verão americano de 2018. A narrativa é recheado de sequências glamourosas ambientadas na extravagante cidade asiática. A arquitetura suntuosa de Singapura e o mar paradisíaco servem de cenário para engraçadas e a velha e boa trama de encontros e desencontros entre dois jovens apaixonados.  

Podres de ricos (Crazy rich asians, EUA, 2018), de Jon M. Chu. Com Henry Golding (Nick Young), Constance Wu (Rachel Chu), Michelle Yeoh (Eleanor Yong).

Capitã Marvel

Anos 90. Carol Danvers, guerreira Kree, participa heroicamente de batalha com os guerreiros de planeta vizinho. Nos sonhos, é assombrada por um possível passado na Terra como piloto de caças. Após a batalha, Carol volta à Terra, encontra o jovem Nick Fury e pessoas do seu passado. A jornada coloca Carol e Nick frente a frente com os Skrulls, alienígenas que podem assumir qualquer aparência. A virada de roteiro define quem são os verdadeiros inimigos da Capitã Marvel e dos habitantes da Terra. 

A saga épica de Os Vingadores dá o tom da narrativa, com apresentações da origem da personagem até ela vestir a famosa roupa e se transformar na super heroína. O destaque do filme são, claro, as batalhas engrandecidas pelos efeitos digitais e o impressionante rejuvenescimento digital do ator Samuel L. Jackson. 

Capitã Marvel (EUA, 2019), de Anna Boden e Ryan Fleck. Com Brie Larson (Capitã Marvel), Samuel L. Jackson (Nick Fury)

Homem-Aranha no Aranhaverso

A animação comprova que é possível ser original no clicherizado universo dos filmes de super heróis. A trama reúne seis versões do Homem-Aranha vindos de outras dimensões. O protagonista é Miles, garoto negro que vive em conflito com o pai policial e idolatra o tio grafiteiro. Durante uma incursão aos metrôs com o tio para grafitar, Miles é picado por aranha radioativa. Um portal é aberto e juntam-se a Miles as outras encarnações do Aranha: um Peter Parker barrigudo e desiludido, separado da mulher; a Mulher-Aranha Gwen Stacy, o Homem-Aranha noir, um incrível Porco-Aranha e Peni Parker, Garota-Aranha. 

Bom humor e reviravoltas dominam a trama. Os aracnídeos combatem o Rei do Crime e devem resolver o problema do portal para que cada um volte à sua dimensão de origem. Além de diversão garantida, a animação toca em questões filosóficas e existenciais envolvendo os personagens da infância à maturidade. 

Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: into the spider verse, EUA, 2018), de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothmann.

Caminhos ásperos

A trama narra o encontro entre o pistoleiro Hondo Lane, a fazendeira Angie Lowe e seu filho Johnny. Os três se conhecem na fazenda de Angie, o marido está ausente. É território apache em tempos de trégua, mas a paz está ameaçada pois os índios se preparam para a guerra e a cavalaria americana se posiciona na região. 

Caminhos ásperos segue a estrutura básica do gênero clássico: pistoleiro solitário chega a uma pequena fazenda, se apaixona pela mulher enquanto a ameaça indígena ronda. A virada acontece quando Hondo encontra o marido de Angie. O chefe apache Vittorio é destaque do filme: suas ações guerreiras são pontuadas por atitudes nobres. No final, uma frase define esses combates, glorificados pelo cinema americano, que massacraram a raça indígena: “É o fim de um modo de vida.”

Caminhos ásperos (Hondo, EUA, 1953), de John Farrow. Com John Wayne (Hondo Lane) e Geraldine Page (Angie Lowe), Lee Aaker (Johnny), Michael Patte (Vittorio). 

Os incríveis 2

A família Pêra está lutando nas ruas da cidade contra o poderoso Escavador. A destruição é generalizada e no final da batalha os super heróis são proibidos por lei de usar seus poderes e ficam enclausurados em casa. Entra em cena o milionário Winston Deavor e sua irmã Evelyn com uma proposta: Helena Pêra se juntar a ele e seus artefatos tecnológicos em batalha contra o crime. A ideia é resgatar a legião de super heróis. O problema é que, no primeiro momento, Roberto não pode participar das ações. Ele fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher se transforma em celebridade, heroína no combate aos criminosos. 

A animação continua com o tom ácido de crítica ao universo dos super heróis. A novidade é o controle nas mãos de Helena, enquanto Roberto sofre com as agruras do trabalho no lar. O ponto forte acontece quando o bebê Zezé revela também ser dotado de poderes e protagoniza situações hilárias. Ação frenética e bom humor, receita garantida no universo da animação digital.  

Os incríveis 2 (Incredibles 2, EUA, 2018), de Brad Bird. 

O retorno de Mary Poppins

Emily Blunt is Mary Poppins and Joel Dawson is Georgie in Disney’s MARY POPPINS RETURNS, a sequel to the 1964 MARY POPPINS, which takes audiences on an entirely new adventure with the practically perfect nanny and the Banks family.

Vinte e cinco anos depois, Mary Poppins retorna à casa dos Irmãos Banks. Michael perdeu a esposa recentemente, luta para cuidar dos três filhos e preservar a casa da família. A irmã Jane tenta ajudá-lo enquanto convive com a solidão. O banqueiro Wilkins, vilão da história, dá prazo de dias para Michael quitar a hipoteca, do contrário perderá a casa. 

Os musicais têm capítulo à parte na história do cinema americano. O original Mary Poppins está entre os mais queridos desta história. A continuação preserva o charme, o olhar deslumbrado das crianças e dos adultos diante da babá que chega e vai embora voando com a sombrinha, não se sabe de onde, para onde. O espectador que ama musicais vai junto.  

O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns, EUA, 2018), de Rob Marshall. Com Emily Blunt (Mary Poppins), Colin Firth (William Wilkins), Ben Whishaw (Michael Banks), Emily Mortimer (Jane Banks), Meryl Streep (Cousin Topsey), Lin-Manuel Miranda (Jack).

Missão impossível – Efeito Fallout

Ethan Hunt está em arriscada missão envolvendo três ogivas de plutônio. Ele aborta os procedimentos quando vê sua equipe em risco e os artefatos caem nas mães de um grupo terrorista que passa a exigir a libertação do megaterrorista Solomon Lane. 

O sexto filme da série arrecadou cerca de 800 milhões de dólares nas bilheterias, se consagrando como o maior sucesso da franquia. Ação frenética e reviravoltas seguram a trama do início ao fim, com destaque para duas sequências de tirar o fôlego: a perseguição de veículos nas ruas de Paris e a impressionante sequência final do duelo dos helicópteros. Ethan Hunt/Tom Cruise provam que estão em forma e garantem vida longa a Missão impossível.

Missão impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossibile – Fallout, EUA, 2018), de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise (Ethan Hunt), Henry Cavill (August Walker), Rebecca Ferguson (ilsa Faust), Simon Pegg (Benji Dunn). Ving Rhames (Luther), Sean Harris (Solomon Lane).