O filho de mil homens

Crisóstomo (Rodrigo Santoro), 40 anos, é um pescador solitário que vive em uma casa à beira-mar, distante da cidade. Ele não conversa com os moradores e demais pescadores e interage apenas com um boneco de palha, a quem trata como se fosse seu filho. Todos os dias ele percorre as imediações, a feira da cidade, onde distribui papéis com a frase: “Pai sem filho, procura filho sem pai.”

Seu desejo se realiza quando uma moradora lê o bilhete e o apresenta a Camilo (Miguel Lobo/Gabriel Leone), órfão que acabou de perder seu pai adotivo. Os dois passam a morar juntos e desenvolvem uma relação que passa da estranheza para o afeto e a descoberta dos complexos sentimentos entre pai e filho. 

O filho de mil homens (Brasil, 2025) é adaptado do romance de Valter Hugo Mãe. O diretor Daniel Rezende tece uma narrativa entrecortada pelo presente e flashbacks que elucidam o passado de Crisóstomo, Camilo e Isaura (Rebecca Jamir), que na metade da trama passa a integrar a pequena família à beira-mar. 

O realismo fantástico acompanha o protagonista em seus sonhos, provocados por uma enorme concha que, colocada no ouvido, o remete a mundos imaginários. A direção de fotografia de Azul Serra é destaque do filme, incentivando o espectador a contemplar, junto com os personagens, a beleza sutil da vida. 

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