
Beirute, oh Beirute (Beyrouth ya Beyrouth, Líbano, 1975), de Maroun Bagdadi foi finalizado pouco antes de começar a Guerra Civil Libanesa em abril de 1975. O filme se passa no rastro da Guerra dos Seis Dias (1967) e das crescentes incursões israelenses no Líbano no início dos anos 1970. A narrativa acompanha cinco jovens de diferentes origens sociais e religiosas que tentam navegar pelas contradições de uma Beirute cosmopolita, mas profundamente desigual.
Kamal, advogado idealista da classe média que tenta defender os direitos dos trabalhadores, enfrentando a corrupção do sistema judiciário. Yassine, jovem da zona rural que busca oportunidades na capital, confrontando a exploração e a marginalidade urbana. Abdel-Karim, ativista político engajado nas causas pan-arabistas e na resistência palestina. Hala, mulher burguesa que busca emancipação pessoal e política em meio a uma sociedade patriarcal. Emiel, professor universitário que enfrenta a rebeldia estudantil e se sente impotente diante dos conflitos que tomam conta das ruas.
O diretor adota um estilo quase documental, fortemente influenciado pelo Cinema Moderno europeu e pelo realismo social. A câmera circula pelas ruas, transformando a própria cidade na personagem principal. O grande mérito de Beirute, oh Beirute reside na capacidade de diagnosticar a fratura iminente. Bagdadi expõe as fissuras do “milagre econômico libanês”: o choque entre o capitalismo desregrado, o sectarismo religioso, a crise dos refugiados palestinos e o desencanto da juventude intelectual.
Texto com IA
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