Beirute, oh Beirute

Em abril de 1975, após um tiroteio perto de uma igreja cristã em Beirute, milicianos cristãos pararam um ônibus que transportava civis e combatentes palestinos. Vinte e sete passageiros foram assassinados, conflito conhecido como o Massacre do ônibus de Ain el-Rommanel. Os conflitos se espalharam pela capital, iniciando a Guerra Civil Libanesa que durou até 1989. 

Beirute, oh Beirute (Beyrouth ya Beyrouth, Líbano, 1975), de Maroun Bagdadi, foi finalizado pouco antes desses conflitos. A narrativa acompanha jovens de diferentes origens sociais e religiosas, alguns ativistas dispostos a atos violentos, outros pessoas comuns que tentam entender a realidade social, política e religiosa que coloca o Líbano sempre à beira de massacres. 

Kamal é um advogado idealista da classe média que tenta defender os direitos dos trabalhadores, enfrentando a corrupção do sistema judiciário. Yassine, jovem da zona rural, trabalha como servente em uma universidade e faz parte de um grupo que prega o combate. Hala, jovem estudante da burguesia,  luta por seus direitos dentro dessa sociedade dominada pelos preceitos patriarcais. O professor Emiel enfrenta a rebeldia estudantil dentro da universidade, mas se vê impotente diante dos conflitos que se alastram pelas ruas. 

O diretor Maroun Bagdadi trabalha com um estilo documental, a câmera acompanhando a tensão entre os cidadãos nas ruas, a cidade se apresentando também como protagonista do filme. O final antecipa os violentos conflitos que se instauraram poucos dias depois e mergulharam o Líbano em uma ensandecida e sangrenta cruzada religiosa.

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