
Vontade indômita (The fountainhead, EUA, 1949), de King Vidor, tem uma sequência antológica, reverenciada pelo valor estético e simbólico. Dominique Francon, jovem da alta sociedade, está na mansão de seu pai no interior. Ela ouve sons estridentes que a incomodam pela manhã e se encaminha até a pedreira próxima da casa. Do alto, ela vislumbra Howard Roark, um arquiteto desempregado, tentando cortar a pedra com uma enorme furadeira. Ele está suado, olha para cima e vê, em um profundo contre-plongée, a figura charmosa, cabelos ao vento, roupas brancas, da bela Dominique. Outra cena famosa e polêmica da narrativa é o início das relações físicas, marcado pela violência, entre o casal de protagonistas, no quarto de Dominique.
Vontade indômita é baseado na obra literária A nascente, da escritora russo-americana Ayn Rand. O livro é um dos grandes best-sellers da literatura americana, trazendo um tema caro à formação da sociedade capitalista estadunidense: o direito ao individualismo, a centrar o comportamento e os atos, principalmente o trabalho, em favor próprio, não pensando na sociedade.
Howard Roark é um ambicioso arquiteto que não aceita interferências de espécie alguma em seus projetos. Perde grandes trabalhos por esta intransigência, vai a falência e, enquanto tenta se recuperar, trabalha na pedreira do pai de Dominique. O amor entre os protagonistas também se espelha na individualidade, os dois negam o relacionamento em favor de suas convicções.
Gary Cooper e Patricia Neal viveram um fervoroso relacionamento amoroso durante as filmagens, ajudando a construir o mito sobre este melodrama com a marca visual do diretor King Vidor. Ayn Rand escreveu o roteiro e seguiu a ferro e fogo os princípios defendidos em seu livro. Ela escreveu o longo discurso final de Howard Roark, diante do tribunal. Vidor tentou cortar parte do texto, mas foi impedido pela escritora, que ameaçou processar o estúdio. O que se vê na tela é um Gary Cooper sem muita convicção (ele próprio declarou sua insatisfação quando viu a cena) durante a interpretação do discurso, o mais longo monólogo da história do cinema até aquele momento.
Elenco: Gary Cooper (Howard Roark), Patricia Neal (Dominique Francon), Raymond Massey (Gail Wynand), Kent Smith (Peter Keating), Robert Douglas (Ellsworth Toohey).
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