Duas vezes mulher

Duas vezes mulher (Brasil, 1985), de Eunice Gutman.

Cena aérea do mar do Leblon. Panorâmica encaminha os olhos do espectador para casas empilhadas no morro logo atrás: a Favela do Vidigal. Narração em off fala da formação da comunidade, destacando os heróis anônimos que construíram seus lares no Morro, por meio do “trabalho, tenacidade e esperança. É o caso de duas mulheres, Jovina e Marlene, ambas vindo do campo, ambas domésticas. Duas gerações, mas o mesmo espírito indomável de quem decide construir o próprio destino.”

O documentário de Eunice Gutman centra suas lentes na história dessas duas mulheres, moradoras próximas, com vidas distintas e destinos parecidos. Jovina construiu seu próprio barraco para abrigar a família. A diretora foca a câmera em meio primeiro plano na moradora que conta sua história que faz parte da história da formação da Favela do Vidigal. 

Marlene deixou a família para trás e foi morar no Vidigal, durante uma viagem que o marido fez a trabalho. Seis anos depois, separada e mãe de quatro filhos, foi à luta e começou a trabalhar para sustentar a família. 

O curta traz a marca do cinema feminista de Eunice Gutman, os depoimentos de Jovina e Marlene passam pela luta das mulheres em busca de emancipação, empoderamento, cientes que devem lutar para construir seus próprios destinos. “Pra ser sincera, eu acho que as mulher só vai melhorar a vida quando elas pensarem em se unirem e partir para uma luta firme, uma luta total, uma luta de realidade. Unir as mulheres com mulheres para uma luta total.” – Marlene

Duas vezes mulher foi restaurado a partir de uma cópia preservada no Arquivo Nacional. Essa cópia não apresenta o filme completo, é uma versão que Eunice Gutman fez para ser exibida apenas nos cinemas brasileiros, assim o filme hoje disponível em 4K tem 18 minutos a menos do que o original.

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