A cicatriz

Stefan Bednarz (Franciszek Pieczka) é nomeado pelo Partido Comunista da Polônia para chefiar a construção de um complexo industrial químico em uma pequena cidade do país. Stefan passou sua juventude nesta cidade, cuja paisagem é dominada por uma grande floresta. 

O conflito se instaura em duas frentes. Os moradores da cidade tentam impedir a implantação da indústria por motivos sociais e ambientais e Stefan, cidadão honesto, se vê envolvido pelas estratégias políticas do Estado, enveredando por conflitos éticos. 

A cicatriz (Blizna, Polônia, 1975) é o primeiro longa-metragem de Krzysztof Kieślowski, realizado em um momento no qual o diretor também passava por conflitos éticos profissionais. Sua atividade como documentarista provocou dilemas, pois alguns de seus filmes foram considerados servis ao sistema político da Polônia. 

O estilo documentarista marca a película, com imagens realistas das paisagens, do ameaçador complexo industrial, da vida cotidiana dos moradores da cidade e das frias decisões tomadas em reuniões do conselho gestor do projeto, dominado por burocratas do partido. 

A narrativa termina com cenas de Stefan brincando com o neto dentro de casa, após se demitir do cargo. Lá fora, a fábrica plenamente em funcionamento expele suas fumaças contaminantes, movendo a roda incessante da indústria. Stefan foi apenas instrumento dessa engrenagem e cumpriu o seu dever. No entanto, cicatrizes profundas vão acompanhar seus atos e sua consciência.  

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