
O curta-metragem O avatar botânico da senhorita Flora (L’Avatar botanique de Mlle Flora, 1965) é um ousado e surrealista manifesto feminista da diretora Jeanne Barbillon. A jovem Flora (Bernardette Lafont) mora com o soldado Charles (Louis Méluret) em uma pequena cidade militar da França.
O cotidiano do casal é marcado por imposições machistas e Charles, como exigir que as refeições sejam servidas por Flora nas horas determinadas. Charles age com uma frieza quase agressiva, renegando os sentimentos e as vontades da companheira.
Para fugir do tédio sufocante, Flora busca refúgio na natureza, desenvolvendo uma relação que passo a passo se torna uma metamorfose, chegando ao “avatar botânico da senhorita Flora.” O estilo surreal e poético se destaca na fotografia em preto e branco de Raoul Coutard, um dos grandes diretores de fotografia que marcou a geração da nouvelle-vague francesa, assinando obras de Jean-Luc Godard e François Truffaut.
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